Segunda-feira, Agosto 24, 2009

O HOMEM (VII)

EU, aniversariando...


Comemoro hoje o aniversário amargo de um mês
Que passei a te querer
Talvez, até, sem você saber.

Talvez melhor assim, fico com o "talvez" por enquanto

Tão perto e tão inatingivel
Te ouço falar de outros caras...
Não que eu tenha ciúmes
Mas me deixa desnorteado te ouvir contar, como se fosse a tarefa mais fácil do mundo te dar um beijo

E tento, quero dizer,
Espero, almejo

Espero e imagino

Imagino um dia,
Imagino uma situação,
Imagino um assunto,
Imagino uma deixa...

Daí te imagino em mil posições...

E imagino um romance
Algo diferente, meio enroscado
Complexo sim, mas não muito complicado...
Meio paulistano
Um cenário de frio (você de preto e cachecol
Tão chique, assim, meio freak anos 80)
Com trilha sonora
Soul, Jazz de baixo acústico
Erykah, Sade, Marvin Gaye

Quer dançar? Você adora dançar...

Quer conversar?
Quer me ouvir dizer mil coisas?
Mas aí tem que ser ao pé do ouvido
E talvez eu diga nada, só morda!

Ou quer ficar quieta, ligar a televisão e puxar um cobertor?

Já não posso mais voltar atrás
Agora já tenho certeza
"Certeza": toca o telefone nunca é você
Nunca quero atender

Aniversário de merda...

Domingo, Agosto 02, 2009

LUA CHEIA

Essas horas...
Tenho vontade de te ligar
Não sei, não dá

Mas que vontade de falar com você!

Vontade de comer todas as porcarias do mundo
(o celular quando a gente quer, não toca)
Arroz doce, amendoim japonês, um pacote de Fandangos
Uma garrafa de Coca, pão de queijo, um bife à milanesa
Pipoca doce de micro-ondas, jujuba, M&M...

Pedi um pizza

Minha intuição não falha: você está online
Falo? Não falo? Não falo...

Vontade de falar mil coisas

Amor, paixão, tesão, desejo
Sei lá, não sei dizer
Vontade de estar com você
Só isso

Me viciei no teu perfume

Qualquer coisa que pisca, brilha, fica laranja ou faz "plin" acho que é você:
Um scrap, um torpedo, MSN, G-talk

Quero você na minha vida
Quero contar detalhes, relatos do dia-a-dia
Te fazer rir, te fazer pensar
Te fazer sorrir
Tentar entender alguma coisa que se passa no mundo
Rir dos outros...

Vontade de me jogar sobre você
Vontade de não precisar dizer nada
Debaixo do lençol
Mil gentilezas:
abrir a porta do carro, andar a teu lado e nunca te deixar exposta à rua
te elogiar, reparar o seu cabelo
dizer teu pedido ao garçon...

Passo na Dr. Arnaldo, imagino a flor perfeita pra te dar

Fico imaginando o quanto pensei em você
Tento adivinhar o quanto você pensou em mim essa semana
Dói um pouco o estômago imaginar que talvez nem chegou a pensar...

Talvez me sinta melhor quando a lua cheia passar

Quarta-feira, Julho 22, 2009

MULHERES (XII)

LIGIA, por um homem quase paulistano

Eu nunca me liguei em você
Nunca fui no Espaço Unibanco
Não curto rock
Não vou na Vila Madalena
Não gosto de garoa
Nem gosto de mormaço
(tá ligada?)

E quando eu te bati um fio
Desliguei, na moral
Nem tô ligado seu nome
Esqueci na guita
Uns barato loko que eu ia te falar

Nem,
Ligia
Ligia

Eu nunca quis você comigo
Na madruga, um chopps gelado
No Genésio (se pans, no Filial)
Fazer um rolê no parque da Água Branca
Até o shopping

E quando eu pirei em você
Não possou de uma brisa
Seu nome taquei no lixo
Fiz até um sambinha aí
Dos xavecos furados que ganhei de você

Nem,
Ligia
Ligia

"E quando você me envolver
Nos seus braços, serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo que um raio do sol"

SE FOSSE NO MSN...

... teria aparecido um milhão, quinhentas e quarenta e quatro mil, setecentas e douze vezes:
Thiago está digitando uma mensagem...

Domingo, Abril 20, 2008

O HOMEM (VI)

EU

Sinto um amor
Que espera alguém chegar
Sinto um ardor
Que espera alguém ceder
Sinto um pavor
Na hora de dormir

Ouço sons
Que me fazem desenhar
Percebo formas
Que me fazem escrever
Vejo coisas
Que me fazem compor

Tudo isso é um amor
Perene e latente
Sentimento em prontidão
Que aguarda, ao dispor
Seja bissexto, dormente
Seja diário, serão

E embora confesse egoísta
Há que entendê-lo
Pois há verdade em querer sê-lo
Pois é assim que vejo o mundo
E só, silenciosamente, assim verás a fundo
O retrato da alma do artista


Sábado, Abril 19, 2008

PAR PERFEITO



O momento não poderia ser pior, perdidos na novidade velha da solteirice.
Ela era mais baixa do que ele achava, ele era bem mais calado do que ela esperava. Mas ele acertou quando imaginou seu andar, elegante.
Encontraram-se porque não havia mais como ou por quê não se encontrarem. Não contaram a ninguém, não combinaram, ninguém entenderia. Talvez alguém dissesse que era má idéia, que não deveriam, e talvez até deixassem de se encontrar por isso, então era melhor não dizer nada a ninguém.
E ambos correram, como se fosse um vício, para se verem pela primeira vez. E se viram, pela primeira vez, sem cerimônia, como se fosse um hábito. Nenhuma palavra vã, nenhum comentário banal para quebrar o gelo, não sabiam pra que estavam lá, mas sabiam que não deviam estar em nenhum outro lugar.
O filme já havia começado.
Ela diz o que pensa, é direta, objetiva. Ele pensa tanto que às vezes gagueja. E entre risos, comentários, uns pertinentes, outros, ácidos, e alguns suspiros, esqueceram que era quarta de tarde.
E cada vez, falaram menos.
Ele inspirou forte, procurou o perfume dela no ar, prendeu um pouco a respiração e capturou aquele cheiro. Sentiu a adrenalina correndo pelas pernas.
E mesmo esperando, ela se arrepiou quando sentiu seu braço tocado levemente pelas pontas dos dedos dele. Mordeu forte os lábios e soltou o ar lentamente, de olhos fechados. Ela, com o braço repousado sobre o descanso, retribuiu o carinho, passando a pontinha do dedo na perna dele. Ele sentiu um frio na barriga. A mão dele avançou sobre a nuca, debaixo dos cabelos, num gesto pouco sutil, nada parecido com tudo que havia sido até aqui.
Seus corpos se inclinavam na direção um do outro e os olhares se encontraram. Ela sentia as mãos agitadas e fortes, e o olhar desafiador, como que impondo-lhe alguma coisa. Era o contrário do que ela espera de outras pessoas, mas vindo dele era o que era, sincero, não podia recusar.
Ele esperou o quanto pode; é mais fácil esperar uma eternidade do que um instante.
E ali, naquele momento, quando outros esperariam um beijo, ela olhou para baixo, meio sem jeito e sentiu os lábios dele encostando em sua nuca e uma mordida leve, soltando lentamente sua pele pelos dentes. Ela estremeceu, gemeu baixinho, aplacada pela sensação inesperada, e seu corpo escorregou na cadeira.
Ele não era o par perfeito, mas estava lá.
Pela cabeça dele, mil pensamentos passaram, mil vontades de dizer mil coisas, mas, prudente, ele não disse nada, não podia arriscar aquele momento. Resolveu, então, beijar-lhe o pescoço, e morder, e beijar e morder de novo.
Era tudo que ele precisava, tocá-la e senti-la derreter com um beijo seu. Esqueceu do mundo e pensou só nela. Ela. Era a musa, não precisava fazer nada, somente se deixar ser beijada. E sorriu, insinuante, incandescente, sentindo-se a única mulher no mundo.
Num quadro, um frame, estático, etéreo, interminável.

Quarta-feira, Março 26, 2008

AMOR CÚBICO



Confesso hoje saudade
O riso dos teus olhos
Cada ângulo, uma verdade

Nua simplesmente foste
Como hóstia, tão singela
Adoçada em citronela

Fálico amor
Súbito acometeu
Assim prevaleceu

Gritava teu cabelo
Te acelerava o pêlo
Gemia tua nuca

Cilíndrica voz
Debatendo tanto
Sempre acabando em pranto

Amava noite afora
Sem pensar na música
Quando era agora

Dormia toda azul
Mas quando era briguenta
Acordava magenta

Arroz com feijão de dia
Temaki e sushi de noite
À tarde, terapia

E embora foste única
Sempre houve a dúvida
"Por que olhas pro lado?

Desvia tua fala
Alenta tua pele
Cala teu olfato"

A camisola preta
De renda e de lacinho
Coitado do vizinho

Sussurrava tua libido
Um salmo proibido
Bem à moda antiga

Tinha as mãos à beira-mar
Tinha os pés a correr vento
E o coração sempre a pensar

Vida de embaraço
Amor que não explica
Nem Freud nem Picasso

Segunda-feira, Março 24, 2008

ILUSTRE DESCONHECIDA

Surge diante de meus olhos um vulto que aos poucos toma forma e cor.
Parece-se muito com alguém que conheci, mas...

O que terá acontecido com seu jeito de andar?
Por onde andou e com quem?
Seu caminhar não tem aquela mesma elegância, tem um modo novo que pouco parece natural.
Será que treinou em frente ao espelho? Será que viu num filme?
Será que agora ela gosta de cinema, então??
Será que ela conta os passos, de doze em doze, parece, pra jogar o cabelo pro lado com a mão?
Comigo andava de outro jeito, serena, mais segura, elegante...
Parece procurar alguém ou alguma coisa, anda afoita, passos largos descompassados, tenta até às vezes rebolar...
Quem é ela?

Se for quem eu estou pensando,
O que terá acontecido com seu corpo?
Está pouco mais magra, mas um tanto mais malhada...
Quem esse corpo conheceu?
Poderá ter sido reesculpido por mãos infratoras?
Comigo não era assim, eu entendia seus caminhos e dentro deles passeava, eu lia os seus sinais e transitava livremente.
Alguém andou pela contramão, forçou um novo sentido, alterou a lógica das suas curvas
Quem é essa mulher?

Mas, se for mesmo,
O que terá acontecido com seu rosto?
Que sorriso é esse?
Será que alguém lhe fez sorrir tão diferente que mudou o rumo do seu riso?
Comigo, ria só para si mesma e para mim, doce, suave, a boca toda
Não se faz uma mulher gargalhar para o mundo, a vida não é um pastelão
Será que se esforçou tanto para rir que só um lado obedeceu?
Ou foi um beijo tão diferente que deformou seus lábios?
Não pode ser...

É ela sim, mas,
O que terá acontecido com seus olhos?
O que eles andaram vendo?
Estão tristes, cansados, será que ninguém percebeu?
Comigo eles brilhavam, reluziam todo o amor que houve um dia
Hoje tão opacos, desmentem tudo o que dizem seu andar, seu corpo e seu sorriso
E triste fico, eu, que tantas vezes olhei para eles e vi minha prórpria vida
Será que eu também estou assim?
É, é ela sim...

Quinta-feira, Março 06, 2008

NO METRÔ

Truculento, o trem trafega instransigente os trilhos

Um olhar me chama a atenção;

Trapézios trepidantes tentam entrepor-se ao nosso encontro

De longe, não vejo mais que seus olhos

Tremembé, Tucuruvi, Tietê, talvez... Armênia...

Pra onde vais?

Vais trabalhando?

Imagino um corpo:

Todo trabalhado, quase um troféu.

Disfarço, envergonhado, olho as horas

Quinze e meia...

O carro vai ralentando, parece que chegou ao seu destino

A trama termina

Seguirei, então, subterrâneo, rememorando

As tranças intrépidas

O olhar tão peculiar.

Eu, um tanto triste de não tentar.

Agora deixas a estação, provavelmente

Para pegar o trólebus.

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

RECLAMAÇÃO

Não venha me falar de incensos, budas e elefantinhos cor-de-rosa; eu sei que você é viciada em Coca-Cola!








Domingo, Dezembro 09, 2007

MULHERES (X) ou O HOMEM (V)

PERDIDAS NA NOITE, por um homem músico
ou
EU, e minhas vontades...

Uma vez ouvi um nadador dizer numa entrevista que nadava 8h por dia todo dia e que depois da primeira meia hora, quando o corpo já havia entendido o caminho e todos os movimentos, este seguia sua jornada enquanto a mente divagava.

Isso acontece comigo. Quando se toca uma mesma música mais do que o padre diz "Amém", o piloto automático assume e a mente voa.

E vejo as mulheres. Ah, as mulheres... Confesso: são meu único vício. Muitos querem uma mulher completa, dita até “perfeita”. Que perda de tempo... Prefiro imaginá-las, percebê-las em cada detalhe e entender que a perfeição do corpo feminino está em ser único, descobrir a exuberante arte Divina da criação de mulheres. A música não existiria sem elas.

O homem é fácil de impressionar, ele se encanta com matemática, com a arte da soma e da multiplicação, com a pirotecnia de números, e quanto mais rápido, melhor. Ele tem a capacidade natural de entender a música, captar a matemática que existe nela. A mulher é diferente, ela não se interessa por números, ela é mais “humanas”. Não é machismo: música é coisa de homem, vide Mãe Natureza, sábia como ela só, deu aos machos de quase todas as espécies o dom de produzir sons para encantar suas pretendidas e conosco não foi diferente. Há, então, que se ter uma certa elegância, ser sutil, cantabile, amabile, (além duma dose de sacanagem) para transportar a matemática até o universo feminino. A nota certa, no lugar certo, no momento certo, que na confluência dos sons, arrepie os pêlos dos ombros, faça-a rir involuntariamente e, quem sabe até, com muita sorte (em algum sonho que tive) umedecê-las. Sem elas, a música seria um apanhado desconcertante de sons, barulhos competitivos, medindo, nota por nota, o tamanho do pinto de cada músico.

E toco. (Em outras línguas, a mesma palavra que se usa para “tocar”, também significa “brincar”. Nesse sentido, somos privilegiados...)

E vejo as mulheres e imagino, percebo-as. Não nuas, seria fácil demais, uma fantasia barata; grande parte dos homens tem uma percepção de sexo exclusivamente genital. Eu imagino-as mulheres, plenas, e para cada uma delas uma nota, uma frase, um tom, um ritmo, um andamento.



Loira, linda, esvoaçante, corpão, calça jeans, top branco, ar de atleta, esbanjando saúde, duma beleza descarada que quase grita por atenção, que ri no leste da boca com os agudos: tenho vontade de roubar-lhe um beijo, naquele momento do encontro dos olhos, do vai-não-vai, do frio na barriga. 1 beijo, naquele momento, e nada mais. Não que fosse descartável, mas que fosse sempre aquele momento, tanto faz o antes, tanto faz o depois.

Lânguida, morena, alta, bocão, toda de preto, está com alguém mas não está acompanhada, conversa por educação e vez ou outra olha, quase repreensiva, quando a música rouba-lhe por completo a atenção: quero abraçá-la por trás contra a parede, senti-la, da minha altura, entrelaçando tudo da cintura para baixo, e morder a pontinha da orelha. E congelar esse momento.

Rosto de menina, cabelos castanhos, a princesinha das mil e uma horas de salão, a jóia mais preciosa do papai, a boca cheia de gloss e um sorriso tão ingênuo, de quem não faz idéia do que é a noite, a noite de quem vive na noite, da música tocava, dos salões da vida vivida, que se deslumbra com tudo: tenho um vasto repertório de sacanagens para lhe apresentar. Uma noite não daria sequer para a introdução.

Blusinha de alça fininha, moreninha aveludada, , toda medidinha, proporcional, toda lindinha, um jeito leve, simpática, “a moça dos lenços”, um prendendo os cabelos, outro como cinto, me fez lembrar a brisa da praia no final da tarde, solta seu corpo despreocupada quando o ritmo acelera um pouco: quero sentá-la no meu colo, de frente pra mim e, delicadamente, bem devagar, com a destreza de um cirurgião, conduzir a oeste a alça fininha, descobrir o peito e beijar-lhe, sentir o seio discretamente endurecer e eternizar na lembrança o momento em que contraiu um pouco os ombros e a penugem do corpo se levantou.

Baixinha, loira, cabelo um pouco abaixo da orelha, saia jeans bem curtinha e "que pernas!", que fecha os olhos e passa a mão de norte a sul do colo com as notas looooooongas: deitada, em cima de mim, bem antes de tirar a roupa, pegando-a pelo pescoço com uma mão, a outra mais embaixo, nas costas, ambas firmes, e somente abraçá-la.

Três estrelinhas num céu bronzeado de praia que parecem indicar alguma coisa a sudoeste, me desconcentrando: quero percorrer saia adentro o caminho tatuado, seguindo-as como um Rei Mago.

Mestiça, meio oriental, meio brasileira, de corpo fino, misterioso, o cabelo preto escorrido, negro quase azul, a blusa curtinha que revela a barriguinha sarada é quase uma vitrine, tentando acompanhar as melodias com o quadril: tenho vontade de pousar a língua logo a cima do umbigo e deslizar até o encontro dos seios, sentido suas mãos apertando-me contra seu dorso nu, e parar aí e descer e recomeçar, infinitamente.

De costas para mim, saia rodada, corpo dourado de mulher brasileira, o cabelo ondulado preso, volumoso, e a nuca, o pescoço mais lindo, a nascente do lago de águas quentes escondida na mata fechada de um morro... Há alguma coisa nesse cabelo... Se ela se virasse, ficaria mais fácil saber o que é: quero chegar bem sorrateiro, por trás, soltá-los e ver o que acontece...

A Negra, da pele negra, nêga de Iansã, escorpiana, fogo puro, cabelo todo enroladinho, um pouco acima dos ombros, blusinha verde, calça justinha, corpo sarado - não de academia - de tanto sambar, que debocha dançando, que dispensa todos, qualquer um, só pelo prazer, que fecha os olhos, levanta as sobrancelhas finas e faz mil bocas (de boca fechada) acompanhando o meu improviso: quero vê-la dançar a noite inteira no meio de toda a gente, aí é que está seu esplendor, seu apogeu. Não quero que ela me olhe, muito menos esbarrá-la no salão: ela é a musa negra num pedestal, feita para ser adorada, mortal nenhum há de provar seu corpo senão com os olhos, pois ela é um lembrete da grandeza dos Orixás, uma forma deles dizerem: "Estamos aqui, sabemos de tudo e nós é quem damos as cartas".

Morena dos olhos de jabuticaba, a mais linda de todas, porém tímida, o semblante um pouco perdido, escondendo o corpo trabalhado debaixo das roupas, imagino uma tatuagem escondida que ainda não teve coragem de fazer, aquela que os homens olham e pensam "Essa não é pra mim", que ouve atenta, que rói as unhas quando o grave aveludado parece soprar algo ao pé do ouvido: quero sentar na cama e observá-la, nua, antes ou depois de nada, somente naquele momento, quando ela esquecer que não está sozinha, se entregando ao espelho, mexendo no cabelo, fazendo pose, rindo para si mesma, descobrindo uma grande mulher.

Pensando bem, a Negra, se eu pudesse dar uma mordidinha na bunda dela...

Quarta-feira, Outubro 24, 2007

PENSANDO ALTO

Escrever, escrever, escrever...

Falar, falar, falar...

O impulso é sempre agir, nunca recuar.

Eu acho
Tu achas
Ele acha;
Nós achamos
Vós achais
Eles acham.

Todo mundo acha alguma coisa e o "diferente" virou "errado".

Eu sei o meu nome, meu telefone e meu endereço, e sei fazer conta de mais, de menos, de dividido e de vezes; Se alguém lhe falar que sabe qualquer coisa além disso, desconfie.

A vontade de escrever supera infinitamente a inspiração. "Mim" com "sim", com "fim"; "amor" e "dor"; "coração" com "solidão", com "não vai não"; verbo com verbo...

Há uma nova modalidade de poesia: "Poesias curtas" (nome inspiradíssimo), para quem não tem tempo de escrever - não para quem não tem tempo de lê-las (ou utopicamente para tentar causar impacto, ser relevante em poucas linhas), afinal de contas, quem vai se dar ao trabalho de ler alguma coisa quando a vontade de falar é tanta?


(Tenho um certo receio de escrever perguntas, mais ainda de terminar um texto com uma. Muitas delas são retóricas ou meros devaneios e há quem ache realmente que estou esperando alguma resposta. Vão encher minha caixa de eu-achos e verdades absolutas, escritas com a eloquência do adolescente que se depara com aquele "resposta completa", na prova de Geografia.)

Não também que seja eu o Iluminado, inspirado pelos deuses, porta-voz da verdade, formador de opinião, mas leio bem mais que escrevo - e muito importante e bem menos óbvio do que parece: leio muito o que eu mesmo escrevo.

Quero ouvir de alguém algo que nunca sonhei pensar.

E que haja silêncio, que haja pausa







"Quem sou eu"? Sou vários, incontáveis. Pra cada um, sou um diferente. Só me vendo refletido em você posso lhe dizer quem sou.

A Era é digital, das câmeras, das filmadoras. 2 Gb de memória, 15 horas de filme, 800 fotos, monitor LCD, infra-vermelho, redutor de olhos vermelhos, 8.1 megapixel, 3.2 optical zoom. Vem com cabo USB, carregador de bateria, manual de instruções, garantia (que graças a Deus nunca precisei usar, não confio naquele chinês...) Só não vem com tempo para assistir.


Quero dormir e acordar de dente escovado.

Posso sugerir uma coisa? Descubra uma cantora: não uma que esteja na TV ou que seja um estereótipo de sapatão. Descubra uma voz que toque seu coração e lhe diga coisas que faça sentido. Alguém que esteja longe dos holofotes, não há verdade no rádio, muito menos domingo à tarde na TV. Que cante a trilha sonora do que você está sentindo, com elegância, e que faça você sentir o que ela está cantando. Alguém para ouvir quando estiver só e que isso seja quase um segredo.

Em dias de chuva, o leiteiro devia entregar vinho.

Preciso encontrar um grande amor, talvez pelo Orkut. Uma mulher bonita, que não seja fútil, que seja intelectualizada mas não seja uma "intelectual"; que não more muito longe, que não acorde muito cedo, que não fume, que não jogue papel na rua. Não faço questão de loira ou morena, mas que o cabelo combine com o tom da pele. Talvez uma fotógrafa... Ou talvez uma mulher mais alta que eu (que tenho 1,87m) e, com sorte, quem sabe, canhota.

Que leia...

Que escute...

Que acredite.

Quero me deitar na cama, fechar os olhos e ter sono. E, enquanto sinto o cansaço esvair de meu corpo, sentir a mão de alguém, que, sentada ao meu lado, acaricie meu peito, amiga, que não me faça pensar em sexo, que fique me olhando e me deseje coisas boas.

Mas que, quando vier maliciosa, transborde desejo, seja ousada, aventureira do meu corpo. Que venha mansa, sem pressa. Que entenda meu corpo, que leia meus lábios e que encontre em meus olhos um caminho, uma estrada, que leve a um lugar bom. Descobrir, juntos, um jeito só nosso de fazer amor, inventar uma posição, beijar lugares improváveis, entrelaçar as pernas e esquecer o tempo.

E fazer um piquenique depois do amor. Falar bobagem, ver um filme, comendo pipoca doce de panela, batata Pringles, um cacho de uvas, ameixa (cortadinha com faca e dada na boca), um pacote de M&M, castanhas, amêndoas, nozes, brigadeiro de colher...

Afinal de contas, o que é mais passageiro que uma barriga tanquinho?

Domingo, Outubro 07, 2007

O HOMEM (IV)

EU, HOMEM, num momento auto-biográfico

Pra ser macho, basta nascer. Pra ser homem, a história é outra.

Pra confrontar os pais, basta esperar a adolescência. Pra concordar, é preciso ser homem.

O dinheiro, o trabalho, sucesso, o tempo trás. Pra ter dignidade, é preciso ser homem.

Pra comer uma mulher, basta ser macho, e mesmo que o papo seja fraco, qualquer cinquenta conto e uma ida à R. Augusta resolve. Pra chorar por uma mulher, é preciso ser muito homem.

Pra trair, basta passar o comando pra cabeça de baixo. Pra dizer não... é preciso ser homem...

Pra fazer filho não precisaria mais do que o membro funcionando e uma certa dose de imprudência. Pra ser pai será preciso ser homem.

Opinião e bunda, cada um tem a sua. Pra saber ouvir, é preciso ser homem.

Pra se meter na vida dos outros basta assistir Malhação é achar que a vida é assim. Pra cuidar só da sua, é preciso ser homem.

Apontar o dedo é fácil. Pra assumir um erro precisa ser homem.

Homem, não macho.

Mas não há de ser nada, deixa estar. Devagar vou saindo da escuridão, bons tempos estão pra chegar, bons ventos vêm me dizer. E quando o amanhã chegar, velhos campos vão florescer, sorrisos francos hão de brotar e o pranto há de secar.

Quinta-feira, Outubro 04, 2007

O HOMEM (III)

EU, inconvenientemente apaixonado

Numa segunda-feira a tarde, convidei-a para almoçar num restaurante japonês. O lugar é fantástico, pequeno e aconchegante, preço bom, comida boa, sashimi à vontade, sem miguelação. Gosto de sentar no balcão, por dois motivos: primeiro, o atendimento. No balcão, você pede tudo direto pro sushiman, vem rapidinho, fresquinho, e quando não está tão cheio o restaurante dá pra ficar experimentando as criações do baiano gago que trabalha lá. Segundo motivo: não fica a mesa no meio...

No começo é sempre aquela coisa: Rodízio pros dois, quentes, bebidas, Hmmm! isso aqui é muito bom, Nossa, que delícia! Quanto tempo eu não vinha no japonês... Depois, as novidades.

Eu tento, eu juro que tento prestar atenção em tudo que ela fala, mas assim, tão perto, sinto seu perfume e me controlo para não inspirar fundo, fechar os olhos e encher o peito com esse cheiro. Algumas palavras me escapam, mas não perco o sentido das frases.

Meu coração dispara um pouquinho: Será que é a perna dela que está encostada na minha? É, acho que é sim. Ela tem postura, tem elegância, uma certa imponência mas sem soberba; é graciosa, delicada, seu jeito de falar é o deleite do meu machismo: calmo, sem se exaltar, feminino, sem "mano" pra cá, "firmeza" pra lá... ("Machismo"? Ele disse a palavra com "M"? Disse sim! afinal de contas, o que é o "cavalheirismo" senão um machismo esporte fino?) Ela é careta moderna, faz meu tipo, muito mais bacana do que uma moderna careta, mas esse papo é longo, fica pra depois.

Sinto que pra ela poderia contar coisas que não conto pra ninguém. Mas o que está diferente? Pode ser coisa de momento... mas o que é a vida senão um apanhado de momentos, uns menores, outros longos demais?

Sei que os homens passam e se perguntam onde ela estava escondida todo esse tempo, sei que se perguntam de onde vem esse tom de pele, e sei também que ela sabe, mas quando se tem esse tipo de beleza, assim, como a dela, essas coisas não fazem diferença. Ela sabe de todo esse movimento, mas estamos conversando, ela não desvia sua atenção de mim para saber quem passa. Outras mulheres poderiam e mudariam! até o tom de voz se percebessem que outro homem observa, mas ela não. O sol poderia nascer às oito da noite, só para vê-la e ela não desviaria o olhar. Ela tem curare* no corpo...

Ai! Ela se ajeitou no banco e agora sua perna está lá longe, não está mais enconstada! Preciso dar um jeito...

E ela me conta mil coisas, sobre o trabalho, sobre a família, sobre as amigas... Um filme que ela quer ver, o livro que terminou, o risoto que deu errado... Às vezes, é verdade, me atropela falando, pergunta alguma coisa e antes de ter a resposta completa, emenda algo que queria falar. Mas outras vezes, também é verdade, só quer ouvir, me dá corda e eu falo, como se estivesse conversando com o teto, pensando alto. Nessas horas vou me chegando mais perto, ela repousa a perna em cima da minha, me dá um friozinho na barriga... falo olhando longe e ela só olha pra mim, olha nos meus olhos. Nessas horas, tenho um pouco de medo de olhar nos olhos dela, debruçado no balcão, encosto o queixo no ombro e olho pra baixo, respiro fundo e sorrio. Afinal de contas, silêncio também é música.

Encosto o ombro no dela e percebo que por alguns segundos, ela está olhando a minha boca. ESSE É O MOMENTO, essa é a deixa. É a bifurcação da estrada. Isso sim é esporte radical! Haja adrenalina! Será que vou, que fico? É a hora de estudar o local da aterriçagem e decidir: pulo ou não pulo?

Que ódio! Moleque! Odeio-me por não ousar... O momento passa.

Talvez seja melhor assim, preciso me preparar mais. Separar dela meus lábios e não saber o que dizer, ou pior, dizer algo impróprio é pior que não beijá-la. E se eu dissesse: "Eu te amo"? Será que ela ficaria espantada? Será que EU ficaria espantado?

Mas ela não recua o corpo, ainda está aqui. Talvez seja indício de que outro momento surgirá. Fico ansioso perto dela, o tempo sempre parece caminhar diferente, rápido demais ou demasiado lento. Os assuntos ficam escassos, mas estarmos juntos preenche o vão do tempo. O que há depois dela? Pessoas vem e vão de nossas vidas, beijos ardentes facilmente se transformam em sorrisos amarelos, mas não com ela, com ela não pode ser assim.

Mas com ela não me afobo; há algo nela que diz: Temos todo o tempo do mundo...



* curare: veneno de ação paralisante, de tom marrom escuro, extraído de uma planta amazônica.

Terça-feira, Agosto 21, 2007

A MENINA E O MONGE

(para K.J.)

Durante muitos anos, ela caminhou pelo mundo descalça.

Queria andar mais e mais rápido, mas não sabia como.

Um dia, encontrou um velho sentado em uma pedra e ele lhe disse:

- Para andarmos mais e mais rápidos, é necessário cobrir o mundo com couro, para poupar os pés.

- Moço, mas isso não é possível... Não seria mais fácil então cobrirmos os pés?

- Claro, minha pequena. Mas desta forma, não estariamos cobrindo o mundo a nossos pés?

PARADOXO DO REAGRUPAMENTO

0 = (1 - 1) + (1 - 1) + (1 - 1) + (1 - 1) + ...
0 = 1 + (-1 +1) + (-1 +1) + (-1 +1) + ...
0 = 1 + 0 + 0 + 0 + 0 + ...
0 = 1

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

UM ESTUDO SOBRE A MULHER

E lá vai ela, andando apressada, faça chuva, faça sol.
O semblante sério mas nunca cisudo, fechado. Compenetrada, diria eu... com a cabeça em suas coisas.
Mistura-se na multidão à medida do possível. Os traços finos, os cabelos dourados, e até mesmo as formas (que a roupa não esconde) não passam desapercebidos tão facilmente. Sem contar o perfume... doce, leve, feminino, talvez de alguma flor que eu não conheço. Desses, que separam as mulheres das meninas. Quem sabe ela mesma tenha nome de flor?

Onde vai tão apressada? Pelo terninho... está em horário de almoço.
Ou pode ser só fachada. Talvez sua real ocupação seja naufragar embarcações e hipnotizar os marinheiros; observar a vida no mar e contemplar as estrelas. Talvez ela cante, mas deve ser um canto tão lindo, tão puro que só se ouça silêncio.

Olhe bem pra ela! Tem um jeito gracioso, convidativo. Convidativo? Pode ser... Agora, pense bem como é ridículo: nós, homens, que revelamos a terra, escalamos o topo do mundo, descobrimos as profundezas do mar, exploramos o espaço... morremos de medo de mulheres assim, lindas, confiantes, donas de si. Por isso o mundo é como é, temos medo da beleza! Um homem enfrenta outro homem até a morte portando nada mais que unhas, mas não tem coragem de se render ao seu olhar luzente, tão tranquilo, e se entregar e se perder e fazer dos seus desejos uma profissão de fé. Pobre daquele que segurar o seu cabelo, desbravar o seu pescoço e chegar de beijo em beijo até o ouvido! Mal sabe que essa é a estrada que leva à perdição! Ficará inebriado com seu cheiro, seu gosto, se sentirá pequeno, vulnerável, tuberculoso. Nem imagina que ela tem o poder de transformar um homem em menino com um simples olhar, e transformar de volta com uma simples palavra.

Ai de quem tentar entendê-la! Não que seja vil ou ardilosa, pelo contrário! Por ser espontânea, por ser despreocupada, por rir na face do inimigo! Pode estar em qualquer lugar, a qualquer hora, e nada mudará o seu caráter, pois sabe aproveitar o que cada um tem de melhor. E tudo que ela quer é alguém que a deixe ser quem ela quiser. Mas não ouse dizer que é eclética! Isso é coisa de gente sem personalidade, gente que não sabe o que quer. Ela sabe... E como sabe! E sabe convencer e sabe seduzir, até mesmo quando não queria tanto. Levaria Zaratustra a uma rave, Baco a uma praia deserta e me levaria à loucura! Ou quem sabe, esfriaria o mutuê do velho Nzazi(*)?

E se deixasse, eu a levaria, sobre às águas, até uma casinha de vila no sul da Itália e dançaria com ela na varanda, bem no finzinho da tarde, quando o céu fica vermelho, a rua fica calma, o chão de pedras fica frio... E a luz sobre as casas faz nascer um lugar novo, tão bonito... E um vinho, um cobertor... um passarinho vem contar suas mazelas enquanto o vento leve vem dar vida a seus cabelos e traz com ele um olor sutil de relva dos descampados, não tão longes dali. E aquela dança, seria agora não mais que um abraço, pendendo levemente de um lado para outro... Quem sabe estamos flutuando? Os pés não mais tocam o chão... O que nos resta, se não um beijo?

"Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias
O que és não vem à flor
Das frase e dos dias

É o melhor de tu.
Não digas nada: sê!
Graças do teu corpo nu
que invisível se vê."

...

...

...

...

Pensando bem: lá vai ela, apressada, compenetrada, tentando achar um jeito de salvar o mundo.


* - mutuê: cabeça
- Nzazi: nkissi (orixá) do candomblé de Angola, mera semelhança de Xangô. Seu domínio é a justiça, liderança, o raio e o fogo. É característicos dos filhos desse santo serem pessoas enérgicas, de temperamento quente.

este conto teve a participação especial de Fernando Pessoa, ali no finalzinho, entre as aspas...

Sábado, Agosto 11, 2007

O APAIXONANTE HOMEM DA MADRUGADA

Duvidas de mim?

Deixa-me então provar-te do contrário
Deixa eu me segurar em tuas mãos
E, louco, penetrar em teus desvãos
Solícito, ilícito e involuntário

Duvidas de mim?

Deixa-me então sentir tuas coxas
E sussurar obceno em teu ouvido
Tudo que pensaste ser proibido
Alisar-te as costas e deixar as pernas frouxas

Duvidas de mim?

Em cada centímetro teu que há de pousar meu beijo
Um calor imenso há de acender teu corpo inteiro
Como nunca viste antes, tanto ardor num só lampejo

Duvidas de mim?

Mas agora é quase dia, o sol já vem ligeiro
Sou da noite e espero o próximo ensejo
Observando, sem pressa, como todo bom mineiro...

Sexta-feira, Agosto 03, 2007

MULHERES (IX)

PROPAROXÍTONAS, por um homem gramático


MÔNICA, enigmática
Um pouco mística
Do beijo cálido
De soda cáustica


ÂNGELA, um espetáculo
A foda homérica
Um gênio bélico
Fim catastrófico


FÁTIMA, um tanto tímida
O corpo lânguido
A cútis pálida
De estilo gótico


VERÔNICA, bastante ávida
De riso histérico
Jeito estrambônico
Tocou-me a próstata


KÁRITAS, mocinha pândega
De firmes nádegas
Um cheiro insólito
De fruta cítrica


ÉRICA dizia enfática
Que era romântica
Quiçá nostágica
Queria um príncipe


CLÁUDIA achava o máximo
A minha música
Sorria lépida
Esterofônica


PÂMELA, mulher simpática
De seios sólidos
Ficamos íntimos
Bastante rápido


JÉSSICA, tirei do cárcere
Que a deixava apática
O semblante tétrico
Em pleno sábado

O HOMEM (II)

EU, caindo em mim

- Acabou.

- O que? Como assim? Não pode ser! Você tá louco? Você tá louco! Você não pode fazer isso comigo, a gente tem tantos planos, a gente tá junto há tanto tempo, não tem nada que a gente não possa resolver! Nossa... eu fiz já a reserva do hotel, tá tudo certo pra gente viajar! Eu comprei um biquini novo, comprei até uma mala nova. Já falei com o todo mundo lá em casa que eu não ia ficar aqui pro Natal, que a gente vai viajar. Por que você está fazendo isso comigo? É pra me fazer sofrer? É pra me ver chorar? O que você acha que vai conseguir com isso? Isso é alguma estratégia pra conseguir alguma coisa? Porque se for, é muito feio! Se você quer alguma coisa é só falar, não precisar fazer esse tipo de chantagem... Fala comigo! A gente tem conversado tanto, tava certo que a gente vai até casar, eu sei que não é agora, mas eu já tava até pensando no meu vestido, na cerimônia... Eu pensei no nome dos nossos filhos, eu já tenho tudo planejado pra gente! Você não tá gostando de alguma coisa? Porque eu não consigo imaginar o que é. Eu sou carinhosa, sou atenciosa... Eu quero ficar com você! Problema na cama não é, não é que eu sei! Se tem uma coisa que você não pode reclamar é que o sexo é ruim, porque é muito bom, nunca foi tão bom! Eu nunca gozei tanto na minha vida, tanto e tão gostoso! Como pode? O jeito que você me pega, o jeito que o seu corpo encaixa no meu... O problema não é esse... E justo agora?! Você sabe de tudo que eu estou passando, você sabe como estão as coisas na minha casa, eu preciso sair de lá, preciso ter meu canto, meu espaço. Você sabe que eu estou estressada não é com você, é por essas coisas, essas coisinhas, meu chefe... Justo agora que eu tô esperando resposta da outra empresa. Você sabe que eu não sou assim, só estou nervosa com todas essas mudanças. Eu sei que estou um pouco impaciente, pode ser até que eu tenha descontado alguma coisa em você, mas você vai ver, assim que resolver todas essas coisas eu vou ficar mais tranquila. Daí você vai ver, a gente vai viajar e vai ser muito bom, eu vou poder descansar dessas coisas todas, você também. Eu olhei uns lugares ótimos que eu quero conhecer, uns restaurantes, uma praia que dizem que é linda! Que foi, hein? É por causa do meu ex? Por ele ter me ligado? Euteamo,elenãosignificanadapramim,eujápedipraeleparardemeligar,maselenãopára!Eunãoseioquefazer!Mediz,medizoqueeufaço!Falaqueeufaço!Vocênãotáfazendoissosóporcausadaqueletelefonema,néVocêsabequeeunãotenhointeresseemmaisninguémanãoservocê,eununcatetraíejamaistrairia...Ou...é isso...? Você arranjou outra pessoa...? Você está com alguém? Me explica pelo amor de Deus, o que tá acontecendo? Você conheceu alguma mulher, ficou com ela e agora quer me largar pra ficar com ela?! Você tá me trocando? Fala! É isso? Tem outra pessoa?

- Tem: eu.